segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Opinião: Religião...


“A crença em Deus subsiste devido ao desejo de um pai protector e imortalidade, ou como um ópio contra a miséria e sofrimento da existência humana.”
                                               Sigmund  Freud
                A nossa história foi moldada através de crenças e falsas verdades. Sangue foi derramado em nome de ganância, poder, ódio e de Deus. É um pouco intrigante o facto de Deus fazer parte dessa categoria. Não conseguimos encontrar nenhuma passagem na Bíblia que diga que é suposto matarmos em nome dele. Porém fazemo-lo. É interessante observar a maneira como a Religião ajusta os nossos pensamentos e a nossa maneira de pensar de acordo com o que ela quer que pensamos e façamos. E nós obedecemos cegamente, sem questionar, sem duvidar de nada.
                Podemos culpar os tempos, a ignorância, mas agora nós já temos conhecimento suficiente para duvidarmos, para colocar questões, para tentar perceber. Perdoem-nos pela nossa falta de imparcialidade em relação a este tema, mas somos pessoas que acreditamos na ciência, no conhecimento, naquilo que podemos explicar com factos. Aliás, é isso que procuramos, factos, conhecimento, realidades palpáveis. Queremos acabar com estes dogmas. Parece tudo tão irreal, como uma história num livro. Aliás, acreditamos que não passa disso, uma história fantástica e irreal nas páginas de um livro. Não sei se sabiam, mas a Bíblia resulta da compilação de textos escolhidos num concílio realizado pelo imperador Constantino. Nesse concílio um grupo de homens escolheu os textos para esta compilação, daí ter determinado que a Bíblia só seria constituída por 4 livros, transmitindo a mensagem e a ideia que mais lhes agradou. A prova disso é que os textos originais que constituem a Bíblia foram escritos em grego. Esta informação, por si só, é suficiente para abalar a nossa fé e as nossas crenças. Acreditamos numa imagem pintada de acordo com os gostos de um grupo de homens, uma imagem que pode não corresponder à real. Tal como disse Karl Marx: “O Homem faz a religião, mas a religião não faz o Homem”, e temos que admitir que pelo menos uma parte desse pensamento é real, pois o Homem faz a Religião, mas por outro lado, a Religião também faz o Homem.
                E como podemos nós acreditar nessa imagem? Nos seus ensinamentos? Supostamente fomos feitos à imagem e semelhança de Deus, mas nós somos tão imperfeitos, o nosso coração não é puro, somos dominados pelo ódio, pela ganância, mata-mos e torturamos. Deus não é assim, a ideia que nos foi transmitida retrata um ser perfeito, puro e bom. Esta imagem choca com a imagem do ser humano, que, supostamente, foi criado à sua imagem. Estas são ideias completamente antagónicas. É suposto acreditarmos nisso? Olhe á sua volta, o que vê? nós vemos sangue, dor, ódio, desespero, agonia… Como podemos nós acreditar na sua benevolência, no seu amor, na sua existência? Se ele realmente existisse, se ele fosse assim tão poderoso, ele faria alguma coisa. Como pode ele, deixar uns terem tudo e outros não terem nada? Ver pessoas morrer á fome e outras serem obesas? Como pode ele permitir que haja pessoas a viver em barracas sem condições e outras terem mais do que uma mansão? Como pode permitir tanta desigualdade entre seres humanos? Nós não conseguimos acreditar que ele não interferisse, se ele realmente existisse.
                Ao longo da Bíblia, existem passagens que relatam os acontecimentos que o levaram a interferir, porém há passagens na História Mundial que valia bem a sua interferência, e ele nunca o fez. Aliás, algumas dessas tão famosas passagens, como o episódio da Arca de Noé, já foram provadas cientificamente nunca poderem ter acontecido. Existem provas científicas que comprovam a sua falsidade. Sábio foi Goethe ao afirmar: “O milagre é o filho predilecto da fé”. Pois em milagres, queremos nós acreditar, e não em provas visto a “Religião é o ópio do povo” (Karl Marx) e é preferível vivermos cegos do que abrirmos os olhos para uma verdade terrível e dolorosa. Contudo, à  luz de tantas contradições, tantas mentiras, é impossível não sentirmos a nossa fé abalada. O óbvio impede-nos de acreditar. A Razão torna impossível tentarmos.
Como afirmou Sigmund Freud: “Um homem que está livre da Religião tem uma oportunidade melhor de viver uma vida mais normal e completa”.

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